Petfishing: O Que É e Por Que Seu 'Match' Mente Pra Você
Por Tomás Verdera · Subproject Zero
Você desliza para a direita, o coração acelera um pouco. Aquele perfil tem tudo: o sorriso certo, a biografia interessante e, claro, um cachorro adorável. Começa a conversa, parece ir bem, mas algo não se encaixa. Com o tempo, a desconfiança cresce. Aquela foto do pet, por exemplo, é perfeita demais. Seria mesmo do seu match?
A verdade é que, no mundo dos aplicativos de namoro, a busca por uma conexão verdadeira esbarra em táticas cada vez mais elaboradas para prender sua atenção, mesmo que isso signifique mentir.
O que é Petfishing em aplicativos de namoro?
Petfishing é a prática de usar fotos de animais de estimação de outras pessoas – ou até mesmo animais que não existem na vida de quem está criando o perfil – para atrair matches em aplicativos de namoro. O objetivo é simples: o pet é um charme a mais, um “quebra-gelo” instantâneo que gera mais likes, comentários e, claro, um número maior de potenciais encontros.
Essa tática, cada vez mais comum, explora a nossa natural afeição por animais, criando uma imagem de carinho, responsabilidade e fofura que, muitas vezes, não corresponde à realidade do usuário. É um engano que começa pequeno, mas que revela muito sobre a dinâmica das interações online.
Por que usar o pet alheio vale a pena para alguns?
Pense bem: um perfil com um pet recebe muito mais atenção. É um gancho fácil. Em um cenário onde a disputa por um “match” é intensa, qualquer vantagem é bem-vinda. Muitas pessoas buscam essa atenção barata porque é mais fácil do que construir um perfil autêntico e cativante.
Os aplicativos de namoro não foram criados para que você encontre alguém. Eles foram construídos para que você permaneça lá. Tudo o mais é um efeito colateral.
E as plataformas? Elas se beneficiam desse jogo de aparências. Quanto mais interações, mais tempo de tela, mais dados, mais anúncios. Não é interesse delas que você encontre seu par rapidamente e saia do aplicativo. O incentivo é manter você deslizando, curtindo, buscando – mesmo que a um custo para a sua confiança e para a sua busca por algo real.
A prática se espalhou, com milhões de perfis em aplicativos de namoro já tendo usado ou se deparado com a tática do petfishing. É um sintoma de um problema maior: a superficialidade que essas plataformas acabam incentivando. A verdade é que, ao usar a imagem de um pet alheio, a pessoa não está apenas sendo desonesta, ela está se apropriando de um elemento que não é dela, sem pensar nas implicações ou na quebra de confiança que isso gera.
O custo da atenção barata: desilusão e solidão
Quando você busca conhecer pessoas online, seja para amizades ou relacionamentos, você entra com uma expectativa: encontrar alguém de verdade. Mas a realidade é que muitas dessas plataformas, incluindo o Instagram, Tinder, Facebook e TikTok, são ambientes de performance, não de conversa genuína. Mensagens de estranhos vão parar em pastas de 'requests' que pouca gente abre. O algoritmo recompensa quem é visto, não quem responde.
O petfishing é mais um obstáculo nesse caminho. Você investe tempo, energia e emoção em uma conversa com alguém que já começou com uma mentira. Imagine a decepção ao descobrir que o tal cachorro fofo nem existe ou é de outra pessoa. Não é sobre o animal em si, é sobre a falta de verdade na base de um possível relacionamento.
Essa constante busca por validação fácil, somada ao ghosting e às baixas taxas de resposta, alimenta um ciclo de frustração. Não é que você seja desinteressante. É que as regras do jogo são contra você. A plataforma é uma palco, e não uma sala de estar onde as pessoas estão genuinamente ali para conversar e fazer amigos como adultos.
A busca por algo real: um lugar para conversas, não para aparências
Pode parecer que não há saída. Que conhecer pessoas online está fadado a essa dinâmica de mentiras e superficialidade. Mas e se existisse um lugar onde o objetivo de todos fosse realmente conversar? Um espaço desenhado para conexões autênticas, onde a apresentação não dependesse de truques e a privacidade fosse uma prioridade?
Um mensageiro que, por exemplo, se preocupa com a sua privacidade e oferece a segurança da criptografia de ponta a ponta. Onde as mensagens se autodestroem depois de um tempo, para que seu passado não seja guardado indefinidamente pelos servidores de grandes empresas. Afinal, a privacidade em suas conversas é tão importante quanto a autenticidade de quem está do outro lado.
A verdade é que a busca por uma conexão verdadeira é um direito seu. E quando as plataformas se recusam a oferecer isso, talvez seja hora de questionar onde você está colocando sua energia. Não é culpa sua se o sistema te empurra para o engano. Mas é sua responsabilidade escolher onde você busca a verdade. Até quando você vai aceitar que a mentira seja a moeda de troca por atenção em um mundo que promete conexão?